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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Cristianismo Verdadeiro - 1ª parte


por:
José Augusto de Oliveira Maia
02.11.2015




SÉRIE DE ESTUDOS SOBRE O LIVRO "CRISTIANISMO VERDADEIRO", DE WILLIAM WILBERFORCE

Começo aqui uma nova série de estudos bíblicos baseada no livro "Cristianismo Verdadeiro", de William Wilberforce, publicado pela Editora Palavra, em 2006 (*).

QUEM FOI WILLIAM WILBERFORCE?

William Wilberforce (1.759 - 1.833), foi um parlamentar britânico que, convertido à fé cristã, dedicou sua atuação parlamentar a diversas causas sociais, principalmente à proibição do tráfico de escravos negros da África pelo Império Britânico (**).

Em seu livro "Cristianismo Verdadeiro" ("A Practical View of Christianity", 1.796), Wilberforce rejeita e denuncia o cristianismo superficial presente na sociedade inglesa, procurando despertar os leitores a um compromisso efetivo com Cristo e a uma vida transformada, fruto de um novo nascimento.

CAPÍTULO I - concepções inadequadas acerca da importância do Cristianismo

Wilberforce inicia seu livro tratando da concepção inadequada que cristãos nominais de seu tempo possuem sobre a fé cristã e o Evangelho de Cristo; embora os discursos destes cristãos nominais pareçam muito afinados com a Bíblia, eles "não fazem jus ao cristianismo em particular. No máximo, fazem jus à religião em geral - talvez à mera moralidade.". Enquanto doutrinas e princípios norteadores do cristianismo estejam presentes no conhecimento do cristão nominal, as consequências práticas e circunstâncias externas da fé cristã verdadeira ainda lhes são estranhas e desconhecidas.

Como forma de exemplificar este ponto, o autor levanta a questão se há diferenças essenciais entre os que se professam cristãos e os incrédulos; como é a educação, e quais valores relativos à fé cristã são passados aos filhos de cristãos professos por seus pais? A educação recebida em casa não contempla o estudo do cristianismo, e a eventual ligação dos filhos com o Evangelho é fruto de conceitos superficiais e enganosos: se a criança nasce em um lar cristão, se seus pais são membros de uma igreja cristã, então naturalmente ela também é cristã. "Quando a religião ... é transmitida por sucessão hereditária, não é surpresa observar jovens ... abandonando uma posição que foram incapazes de defender.".

Nos valores defendidos pelos cristãos nominais, não encontramos traços do Evangelho de Cristo; a gratidão pelas bençãos temporais (saúde, talentos, bens materiais) não espelha o reconhecimento sincero e humilde da soberana providência divina. Seus padrões de certo e errado não são fruto de um exame profundo e consciente das Escrituras Sagradas, mas se baseiam em um sistema de pensamento diametralmente oposto à Palavra de Deus; quanto muito, são lições que eles aprenderam de cor (Isaías 29:13).

O cristão nominal entrega-se à preguiça, pois não busca desenvolver sua vida espiritual através do estudo dedicado da Bíblia e de sua aplicação prática na vida; "Embora generosa, a mão da Providência não concede seus dons para seduzir-nos à preguiça. Ela concede seus dons para nos despertar para o esforço.". 

Como exemplo dos conceitos equivocados absorvidos pelos cristãos nominais, e da resposta a eles, podemos citar:

* pouco importa no que uma pessoa acredita; olhe para o que ele pratica; em resposta a isso, Wilberforce afirma quão enganoso é este posicionamento, uma vez que um dia seremos chamados à presença de Deus para "prestar contas pelo exercício de nossas capacidades intelectuais e emocionais"; é um engano acreditar que os atos de uma pessoa não são influenciados diretamente por aquilo em que ela acredita

* o que realmente importa é a sinceridade; desde que a pessoa esteja sinceramente convencida de que suas opiniões e condutas estão certas, aos olhos de Deus ela não pode ser incriminada; o engano desta posição está na suposição de que o Ser Supremo não capacitou os seres humanos com meios suficientes para distinguir o certo do errado, o falso do verdadeiro; este engano deve ser abandonado;  a sinceridade, restaurada ao seu sentido original, implica em honestidade de mente, no desejo de receber instrução, na humildade do questionamento, julgamento imparcial e sem preconceitos; "a esses valores somos chamados com intensidade, acompanhados da oração fervorosa pela benção divina. 'Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta' (Lucas 11:9); 'venham todos vocês que estão com sede, venham às águas' (Isaías 55:1). Ao questionador verdadeiramente sincero estão reservados a segurança confortável e os encorajamentos graciosos. Quão profunda será a nossa culpa se desprezarmos estas ofertas benevolentes! 'Pois eu lhes digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vocês estão vendo, mas não viram; e ouvir o que vocês estão ouvindo, mas não ouviram.' (Lucas 10:24)."

Ao final do capítulo I, o autor levanta a seguinte questão: que defesa poderemos apresentar no dia do juízo por termos permanecido de forma deliberada e teimosa na ignorância sobre o Caminho da Vida? Com tantos recursos providos por Deus para conhecer este Caminho, e diante de tantos motivos para segui-lo, como nos defenderemos de nossa obstinada negligência?

Tal questão também diz respeito a nós em nossos dias; se negligenciarmos os meios à nossa disposição para conhecermos a Palavra de Deus, o Evangelho de Cristo e a Fé Cristã, com todas as suas implicações práticas; e se abandonarmos o ensino responsável e comprometido de sua Verdade aos nossos filhos, acompanhado do exemplo prático em nossas próprias vidas, não só os conduziremos em passos seguros à perdição eterna de suas almas, mas também traremos sobre nós a mesma condenação.


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https://www.clubedeautores.com.br/book/181552--A_FE_CRISTA?topic=teologia#.V9g4Yh4rLIU

(*) - WILBERFORCE, William "Cristianismo Verdadeiro"; Editora Palavra, 2006; tradução de Jorge Camargo

(**) - Para mais detalhes sobre William Wilberforce, você pode consultar PIPER, John, "Maravilhosa Graça na vida de William Wilberforce"; Editora Tempo de Colheita, 2009 - tradução de Kátia Ferreira