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sábado, 8 de março de 2014

Interpretando as alegorias bíblicas


por: José Augusto de Oliveira Maia
06/03/2014
Um assunto que desperta o interesse de muitas pessoas é a interpretação dos textos da Bíblia; na teologia, essa interpretação recebe o nome de exegese. 
Basicamente, há duas formas de se fazer exegese da Bíblia: a alegoria e a tipologia. 
A tipologia é um método de interpretação bíblica que concentra-se em:
* o significado gramatical das palavras do texto
* o contexto histórico do texto
Já o método alegórico, por sua vez, interpreta o texto bíblico além de seu sentido básico e original, tentando encontrar um sentido oculto por trás das palavras do texto; aplicado às narrativas bíblicas, este método corre o risco de desconsiderar a veracidade histórica dos fatos narrados, podendo vir a compreender o texto como mera tradição religiosa; se isto for aplicado à Bíblia como um todo, ela poderá ser, equivocadamente, classificada como mera expressão religiosa e cultural de uma época, sem valor para os dias de hoje, e sem autoridade como Palavra de Deus.
Infelizmente, este tem sido o caminho em muitas das igrejas evangélicas, e até mesmo em igrejas históricas, originadas na Reforma do século XVI. Imagine o leitor o que poderá ocorrer se narrativas fundamentais para a fé cristã, como a criação do mundo por Deus, a queda de Adão e Eva, o Êxodo, o ministério terreno de Cristo (seu nascimento virginal, seus milagres e pregação, sua morte e ressurreição), forem interpretadas como mera tradição religiosa, sem valor histórico...acusarão os cristãos de alicerçarem sua fé em lendas, desprovidas de verdade histórica!

Sendo assim, ao contrário do método tipológico, a interpretação alegórica dos textos históricos da Bíblia não contempla de forma adequada os princípios fundamentais da interpretação bíblica:

*  autoridade da Bíblia e autossuficiência para sua interpretação

*  a necessidade do novo nascimento (João 3:5 - 10)

*  submissão da experiência pessoal à autoridade da Palavra de Deus

*  interpretação simultaneamente literal, contextualizada e atualizada

Assim, o problema do método alegórico é interpretar como alegoria o que não é alegoria, e ir além do significado original do texto; o risco de se atribuir aos textos da Bíblia um significado que eles não têm, é o desvirtuamento da mensagem da Palavra de Deus ao Homem.

Mas a alegoria, como linguagem figurada, também está presente na Bíblia, como podemos ver no livro de Cantares, nos textos dos profetas do Antigo Testamento e no Apocalipse.

No caso das alegorias dos profetas, elas devem ser interpretadas dentro do contexto da profecia, analisando-se o contexto histórico em que ela é proferida, e assim se compreender corretamente seu significado. Já para o Apocalipse, a tratativa é mais delicada; primeiramente, deve-se levar em conta que a mensagem apocalíptica central é clara: haverá um juízo final de Deus sobre Sua criação, quando os ímpios serão levados para um castigo eterno, e os salvos em Cristo serão resgatados para habitarem para sempre com o Senhor; as alegorias presentes no texto devem ser interpretadas no contexto da mensagem original do livro, e nunca isoladamente umas das outras. Além disso, para a interpretação do Apocalipse, prevalece o princípio básico de que nenhuma interpretação de uma parte da Bíblia pode ser legítima se contrariar o sentido geral das Escrituras.

Quanto às alegorias presentes em Cantares, para a tradição judaica elas representam a relação entre Jeová e Israel; a tradição cristã as interpreta como linguagem simbólica do amor de Cristo pela Igreja.(1)

Por último, reforçamos o princípio fundamental à interpretação bíblica, de que qualquer texto bíblico deve ser sempre interpretado dentro do sentido geral das Escrituras, fora do qual nenhuma interpretação da Bíblia é válida.


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 - DAVIDSON, F. “O Novo Comentário da Bíblia” – Ed. Vida Nova


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